| UOL x Terra: nova guerra dos portais. |
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Nessa matéria que saiu na Info, você poderá ter uma noção maior de como é feito uma reestruturação de um portal e perceber as dificuldades e como chegar a uma solução desde a criação até a programação e saiba também qual a posição do ranking de visitação dos portais e muito mais. Vale a pena ler! Faltando dez minutos para a uma hora do dia 7 de janeiro, 20 pessoas se aglomeravam na sala de Fernando Madeira, diretor do Terra Networks América Latina. Desde a manhã do dia anterior, eles passaram por uma correria frenética preparando a etapa final da maior reforma do site que o Terra já passou em seus dez anos. Exatamente à 1h54 da madrugada, a nova home page despontou no monitor de Madeira. A equipe estourou garrafas de espumante gaúcho — a mesma origem de vários dos diretores e fundadores da Nutec, que virou Zaz e então Terra – comemorando a conclusão de um projeto de dois anos, o Átomo. “Ontem gastei o botão do mouse”, disse Madeira, na manhã da virada. Um dia antes, a adrenalina da mudança teve um outro endereço — no caso, o do maior rival do Terra. Na sede do UOL, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, estreava também uma nova home page. Não é mera coincidência que dois dos maiores portais brasileiros tenham mudado de cara quase que concomitantemente. O que dirige essas mudanças é a incessante busca de audiência, uma guerra que tende ao infinito. No momento, a ordem é seguir a palavra simplicidade (alguém aí lembrou do Google?), para deixar as páginas mais atraentes e valorizar o conteúdo. Nesse contexto, diminuem os formatos de publicidade na home, principalmente no caso do Terra. É um grande trabalho de arquitetura de informação. O UOL é o número 1 em audiência entre os portais brasileiros, com 15,3 milhões de visitantes únicos, segundo dados do Ibope//NetRatings de dezembro. Na sequência, vem iG (13,3 milhões), Terra (12,9 milhões) e Globo.com (11,2 milhões), cuja audiência disparou em janeiro, graças ao Big Brother Brasil 9, conforme o Alexa.com. Na briga pela audiência, adaptar-se aos internautas — e às novas tecnologias — é preciso. “A própria natureza do meio demanda um trabalho permanente de mudanças. Isso envolve a indústria de computadores e as velocidades de conexão cada vez maiores”, diz Márion Strecker, diretora de conteúdo do UOL — e piloto de 18 reformas do portal desde 1996. Um exemplo é a mudança do parque de PCs dos internautas brasileiros, com monitores com padrão de 1 024 pixels de largura. As interfaces anteriores dos portais tinham manchas (Em design gráfico, é o espaço que o conteúdo ocupa em uma área definida, como papel-jornal ou tela de PC) (largura horizontal da página) de 800 pixels. E eis que surge um novo desafio para as equipes com a popularização dos netbooks. CMS sob medida A reforma de um portal é detalhada e trabalhosa. “Foi uma operação de guerra”, diz Fernando Madeira. O Terra começou o projeto Átomo em janeiro de 2007, e definiu sua forma final em outubro de 2007. Depois de visitas aos sites BBC.co.uk, CNN.com e NYTimes.com, concluiu-se que não havia um modelo de sistema de gerenciamento de conteúdo (CMS) pronto para adaptar. Então, foi contratada a agência que desenhou o sistema daqueles sites: a Avenue A/Razorfish, de Nova York, onde 300 programadores juntaram-se aos 160 do Terra no Brasil. Em dezembro de 2007, Madeira assinou o contrato e deu prazo até abril de 2008 para tudo ficar pronto. “Me olharam como se eu estivesse louco”, diz ele. Depois de várias reuniões e pontes aéreas SP-NYC, Terra e Razorfish definiram a cara do projeto Átomo. Sua característica mais visível é o uso da cor laranja para destacar textos, links e caixas por onde o internauta passa o mouse, e um arejamento da home page do portal. Em julho, o Terra arrematou os direitos de transmissão da Olimpíada de Pequim. A Razorfish teve de correr para construir o site, já com a face do Átomo. A reforma do Terra fixou três pilares: o conteúdo, a tecnologia de produção e a publicidade. “Nosso portal era web 1,5. Tudo tinha de ser novo, inclusive os publicadores”, diz Madeira. Esses sistemas são os que permitem aos jornalistas e webmasteres montar o conteúdo e subir tudo ao ar. A vez dos smartphones O UOL fez sua primeira grande reforma em 2004, passando de uma mancha de 800 para 1 024, com um ano e meio de projeto e virada do site em dois dias. “Criamos um equilíbrio entre a navegação intuitiva e a facilidade para desenvolver conteúdo”, diz Márion. “Agora nossa luta feroz é para atender os smartphones.” No UOL, o publicador é uma ferramenta própria, desenvolvida desde o início das operações em 1996. Para quem escreve e programa o site no dia-a-dia, os portais usam manuais de estilo, que padronizam detalhes como as posições dos elementos na página, características gráficas e normas de redação. O manual do Terra tem 200 páginas. O iG criou uma biblioteca com algumas dezenas de códigos-fonte para facilitar o trabalho. “É preciso usar poucos componentes, senão fica complexo de usar”, diz Caíque Severo, diretor de conteúdo do iG. No desenho de um projeto de site, esses códigos só começam a ser escritos depois que o design e a arquitetura de navegação são definidos. Tudo começa no wireframe (Desenho esquemático em que os elementos são montados em linhas, como uma armação de arame), que mostra a posição de cada elemento na página. O wireframe é tratado no Photoshop para definir cores, fonte tipográfica e tamanho de texto, e só aí cai na mão dos programadores, que traduzem os rabiscos iniciais em código-fonte. Daí para a frente, é desenhar cada seção, canal e página até chegar ao piloto, quando as páginas são produzidas no formato antigo e no novo. A última vez que o iG mudou de cara foi na reforma de julho, quando adotou de vez o menu vertical de canais no lado esquerdo da home page e uma estrutura de portal. Ou seja, as páginas que sempre foram destacadas no iG — como ÚltimoSegundo, Babado, Morango — foram distribuídas em canais verticais, como o iG Gente, iG Esportes etc., em uma barra horizontal colorida, sem abas. A reforma deixou a home page com 1 024 pixels, mas manteve a publicidade à direita da marca de 800 pixels. “A maioria de nossos usuários hoje ainda usa o Internet Explorer 6. Então atrasamos a mudança e não vamos mudar de novo por pelo menos alguns meses”, diz Severo. “Aumentamos em 100% a quantidade de page views nos canais novos.” O desenho mais clean e a nova arquitetura de navegação do iG atendeu aos pedidos dos internautas. Para saber o que eles pensam, o iG criou um laboratório de navegação e um software que monitora a navegação e a usabilidade do site. Um orientador pede aos participantes que cheguem a um determinado site dentro do portal. O sistema registra o caminho percorrido com o mouse e uma câmera grava o movimento dos olhos do internauta. “No último teste, do canal MusiG, pudemos detectar alguns ajustes a fazer”, diz Severo. “Não vale a pena lançar um produto sem testar com o usuário final.” Depois de todo esse trabalho de design e programação, com a estreia das páginas surgem instantaneamente novas demandas. “Assim que criamos a página de Cinema do UOL, com mancha 1 024, os internautas começaram a questionar se a gente não ia fazer a página em versão wide”, diz Márion. A internet, ainda bem, não conhece o significado da palavra imutável.
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